sábado, 17 de agosto de 2013

        Punha cor sobre cor até esconder a sua própria, não sabendo ao certo se se distanciar do conhecimento alheio lhe agradava ou se mentir sobre si mesma era incômodo.
          Fazia caras e bocas pro espelho, analisava o trabalho artístico em si mesma perguntando-se sobre exageros e personagens, hoje ela seria fatal. Soltou os cabelos, puxou-os pra cima e deixou-os cair em charme. A tela estava pronta, vestiu-se. Vestiu-se como quem se despe, a entrever um pouco de pele onde o olhar curioso fuça, compensando onde o bom tom aconselha e o mistério compensa.
          Não precisou esperar muito por companhia, essa chegou também a gritos de “escondi-me sob tudo isso”, estava deslumbrante, talvez inadequada, mas deslumbrante, como beleza grande de mais para se conseguir esconder. Olhou-a e só conseguiu pensar “escondeu-se sob nada”.
          Partiram e logo chegaram aonde queriam, e com elas o mal estar, mal estar de peça de quebra-cabeça que não encaixa. A que tudo escondia mostrando-se quase completamente percebeu-se vista, sentiu que sua mentira tão recorrente tornava-se verdade para tantos quanto a olhassem, e não foram poucos, nunca foram poucos, e isso incomodava a que nada tinha a esconder mas preferia se proteger e usar o jogo de sombras a pouco comprado.
         De nada adianta esse batom-laranja-ressalta-sua-pele se continuar a agir como menina. Olhe-os diretamente, ou não olhe, nem eles nem o chão, o cabelo o cabelo, vestir o ombro exibido  l-e-n-t-a-m-e-n-t-e , não é pra você que olham, oh que pena sinto dela, não mereço essas piadinhas, nem ela, tem sentimentos,ora, além de bunda e peito, tem tanto sentimento quanto deixa de ter tecidos sobre si, ora ora, a comida chegou, e não é minha amiga.
         Sentia-se cansada de procurar o que não encontraria e sustentar uma pessoa assim cansava-lhe os pés, ainda mais uma mulher charmosasériasedutoraeducadacultabela  de cinqüenta e cinco quilos sobre suas costas doloridas. Estava cansada daquela farsa.
        Chega de disfarces, apaga essa cor do teu rosto, essas são feias, belas eram aquelas, sempre aquelas, meu amor merece algo melhor do que essa aquarela desbotada, esse chuveiro... qual o seu problema, hein? Trate de chorar mais forte e dar conta de minhas lágrimas, sim sim meu amor cego, mas por quanto tempo? Preciso de roupas novas ou talvez de menos roupas como minha amiga, minha amiga só precisa de um relógio para saber quando ser plenamente certa em seu jeito claro e direto de se mostrar, somente, não a culpo, eu também não sei do tempo, agora, por exemplo chuveiro, isso não são horas de estar com você, eu nunca sei a hora de estar com alguém, nunca sei se esse alguém quer mesmo estar comigo, ou se sei que sim, temo estar com quem me quer, porque, ora, por que querer? Logo descobriria vários não motivos, melhor não estar para que queira estar, eu não sei de nada, chuveiro, nada nada, posso nadar em sua água, chuveiro?

domingo, 11 de agosto de 2013

Apelo à sobrevivência


Faço-lhe uma prece
Por essa sua pressa
Em parti
Esse pobre coração
Que tanto lhe quer bem.

Se for preciso pegarei os grilos
Aqueles que pulam bem rápido
Na sua cabeça
Com uma facilidade
Que nem a Felicidade consegue acreditar.

Então me diga,
O que posso fazer
Pra que você
Desista desse seu plano com Cida?







Quando te imagino a me acenar
Sem nenhuma cena no seu olhar
Sem nenhum convite pra dançar
Apenas uma formalidade ao me encontrar.

Nada mais faz sentido,
Nada mais faço sem ti.
Só me resta do(r)
Sem ter tido você.
        Descobrir depois que outros descobriram não é bem descobrir, não é?
      Pois saiba que não descobri algo que pode me fazer esquecer essas coisas que nem cheguei a saber.
       Andei pensando naquele amor que nosso professor não soube nos explicar, naquele que me faria encontrar o caminho até aí e perder o medo de você. Hoje não quis saber se ele é causa ou conseqüência desses casais, preocupei-me apenas em saber que posso senti-lo, quase senti que poderia senti-lo.
        Pensei que ele me faria entender o peso da tua historia e ainda mais a leveza da nossa. Pensei que poderia me sentir feliz e envolta por aquele ar de quem ama amar, de quem ama rir tão de perto.
       Um amor tão louco a ponto de me fazer sentir confortável com meu silêncio, com menos capas, com mais de nós.  
Tua verdade desnuda desnudou minha alma,
Evidenciou meus monstros e medos,
Me fez vomitar cobras e agora evito que as engula.

Não corte os dedos em tantas ofensas e farpas destiladas,
Não mexa na sujeira já decantada
E escondida em minha agenda de capa bonita.
Ela foi construída com os destroços de minha demolição,
Abriga a verdade daqueles momentos que não permiti que visse,
Abriga a reação às tuas ações que nunca me couberam mas ainda assim ansiava conhecer,
Reações feias, acredite.
De quem ainda não sabia que “pode tudo”,
De quem ainda não dera ouvidos a Renato,
De criança boba e boba com quem não é bobo,
De menina machucada.

Insisti tanto em saber sobre antes, mesmo sabendo
Que não restaria muito de mim após tanta honestidade,
E bem, restaram rimas verdadeiras e imbecis em algum canto de alma
Rimas tolas e sem sentido.
Gastei todo o sentimento tentando ser boa
Mas tive de guardar o mau em algum lugar,
Mas veja, tirei de mim, já não é meu,
O que tenho são registros de mim,
De minha dor,
Daquela que achava que não passaria.
Guardei por gostar de história,
Pra lembrar meus reflexos de realidade,
Pra rir depois ao ler, rir de mim.
E como te disse, a culpa é minha, por tudo, por nada, por medo.


E precisava saber, porque se não você, quem me faria crescer?