terça-feira, 4 de junho de 2013

Pena é que passe tantas noites com elas reclamando das que não passa comigo.
Bonito que cante-me febril enquanto encanta-te com a quentura de corpos alheios.
E quando lembra-me dos pensamentos que deixa de ter a meu respeito espera aplausos, afinal, quão bom és meu amigo por manter-me imaculada mesmo em sonho.
Graciosíssimos os papéis com que me presenteia. Mais valiosos só os têm tuas amigas, com que lhes paga o que te devo.
Se relata minhas vestes puras e leves, retalha aquelas outras justas e rotas.
Oh, amigo, não cuspa no prato em que come, nem preocupe-se em manter limpo aquele que jamais usará.
O apreço que diz ter pelas noites em que namoramos despidas de vergonhas a Lua e eu, julgo que também sinta no namoro, despido das mentiras habituais, entre ti e tuas mulheres.
Se ao menos soubesse mentir!
Se ao menos coragem tivesse!
Antes mantivesse fidelidade. A qual parte não importa.
Que tivesse sustentado tua máscara até impregná-la a teu rosto, para então que eu mesma a tirasse de ti, até que eu rompesse o lacre que separara nossos lábios. Bastava selá-los com o teu falso pudor; o perderíamos juntos.
Ou, as vistas, ateado fogo em todas as saias, tombado ébrio pelos cantos, pelas brechas de pano, de pele. Mantido longe de si as hipócritas cartas que te asseguram filha e pai, e se entregado ao teu verdadeiro deleite.
Antes não tivesse sido homem precavido!





                                                                                

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