sexta-feira, 19 de julho de 2013

Posso ate sentir o cheiro do seu corpo
Quando abro seu livro
Meus pensamentos vão naquele sonho
Em que a única coisa que lembro era a gente
Juntos...
Seu corpo, seu sorriso, seus olhos brilhando.
Um ar de felicidade no ar
E eu com minha dificuldade de respirar.
Acordo quase morrendo com o ar que tenho sem você
Procuro seu cheiro na minha imensidão de lençóis
E nada encontro a não ser o cheiro de mofo que tenho.

sábado, 13 de julho de 2013

Comprarei todos os seus livros
Só pra você não ter o desprazer de novos amigos
Fecharei todas as cortinas quando chegar
Só pra que não vejam nossos corpos
Fumarei todos os cigarros longe de você
Só pra que não morras
Beberei todas as garrafas de vinho
Quando viajar
Só pra não sentir sua ausência
Morrerei primeiro
Só pra não ver você partir pra sempre.
Minha querida esses versos sem fim
Não por não terminarem
Mas por não os terminarem
É o que mais tenho de ti
Ou o que menos tenho por fazê-los.

Sabe essa sua ausência
Que desdenho
Que desgraça a meu ver
Que angustia ao meu ser.
 
Suplico aos seus
Pensamentos quem sabe
Uma flor
Para mim, por amor!
Aceita mais um pouco da minha cama?
Corpo ou travesseiro?
Você sabe o que quer aceitar
Mas por questão de coerção
Prefere dormir.

Queria versos puros e inocentes pro nosso amor
Mas, meu bem, esses versos miseráveis nos caem tão bem agora.
Queria banhar nessa chuva doce com você
Mas seu corpo esta tão longe
Que o máximo que conseguiríamos seria um resfriado.

Quero você agora em meus braços
Deleitar-me com meu leito de morte
Sim! Minha flor com espinhos
Seu corpo é meu leito.

Não temas quem te queres
Pois são esses seus mais fies escravos
Não ame quem te queres
Porque assim não gozarias desses versos.

Deprimi-me quando
Despi-me sem você
Quando seus olhos não me deixaram mais nua
Quando minha boca não encostou mais na sua.

Inútil banhar sem ter você antes
Arrogante beber sem sua ausência
Destruidor, desculpe, mas é o a única coisa que consigo ser
Se você não vem destruir minha dor.

Depravados, obscenos, medíocres ate
São meus versos na angustia de não serem engolidos por seus olhos
Esganados por sua boca
Desprezados por sua audição.
E eu me denomino mínimo
Minha linda flor,
Não espero nada a não ser seu amor.
Mas pra que esse compor?
Se não posso lhe ver
Que já me decomponho
Totalmente ao seu dispor
Então, meu bem, não tenha pudor
Quando quiser que nosso suor
Se torne lama
Desarrumando a cama
Pois eu a arrumo toda se você quiser
Pra gente desarrumar toda de novo.
Claro! Quando você puder.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Nanica,
Perdida
Devendo até ao vento.
Sem ir nem vir,
Apenas vendo-me ficar,
Ficar e sonhar,
A ter pesadelos,
A devanear teu passado
Tão secreto
Tão introspecto
Fazendo do mistério
Dor.


quarta-feira, 10 de julho de 2013


Sobre formigas e cigarras

Há formigas e há cigarras. Somente. Ou uma coisa ou outra. Nenhuma cigarra pode virar formiga, nem mesmo o contrário pode acontecer, não de forma definitiva.
Nasci cigarra, tenho cigarro, voz e violão. Dou o ar da graça nos dias quentes e nos dias quentes sou criticada. Cantar é feio. Ser cigarra é feio. Bonito mesmo é ser formiga. Serzinho voltado á labuta, com caminhos bem traçados que exerce a função que nenhuma outra formiga poderia realizar.
Nem caminhos, nem função, nem serzinho. Não sou formiga.  Sinto mais que todos. Estou sempre por aqui, por ali, por baixo; em qualquer lugar que os olhos não alcancem.
Vivo só e só vivo, só isso. O sentido da existência faz minha existência sem sentido. Essas formigas não sabem sentir.
Minha vida vagabunda torna a vida das formigas algo formidável.  Alegro seus dias e sei que tudo o que darão será seu ar esnobe quando apenas elas continuarem a viver. Quase posso vê-las sentindo-se superiores por me verem morrer a sua porta. São realmente ótimos seres.




Princesa

Responde-me, insensatez,
Não aprendeste tu que dois é melhor que um?
Se sim, por que não cuida desse coração que te foi acrescentado?

Responde-me, loucura,
Por que pede que te confessem os pecados do coração?
Por que necessita dessa frustrante emoção?
A dor alheia não lhe dói?

Deus me livre de por ti me apaixonar!

Ao menos honesta tu és:
Os faz reféns deixando claro que escravos é o que são,
E que tua vaidade alimentarão.

Não nega liberdade, mas suplica que fiquem;
Usa teu encanto para desencantar a vida alheia.
Não pode dividir um pouco dele?

Exclusividade egoísta essa tua!
Reparte com teus amantes a alegria que sente .
Desce desse trono e vem aqui em baixo.

Por que permite que lhes falte justo aquilo que mais te sobra?
Bem sabes que falo do amor,
Ou não o conheces?
Talvez não tenha permitido sua entrada na corte.
Trago-o aqui outro dia.
Merece um lugar por aqui.

Olhe lá. Vê?
Isso se chama troca.
Dar e receber.
O Rei não te ensinou isso?

Troque comigo, que estou perto.
Depois podemos caminhar por aí,
Receber o que nos derem e dar o que já temos.
Ofereço-te esses conselhos,
Aceite-os, princesa. Aumente tua fortuna.

Lá embaixo temos dessas coisas de ter o que é de todos,
Ainda que pouco.
Não costuma olhar para lá?
É medo isso que te impede de chegar à janela?
Oh! Que brincadeira feia essa do destino, te por aqui tão alto
Sendo esta tua condição.
Princesa com medo de altura, quer descer comigo?
Não olhamos pra baixo e
Quando perceber já estaremos em solo,
Absorvendo aquilo que apenas a terra nos dá.

Não desejas, princesa?


terça-feira, 9 de julho de 2013

Quero lhe vomitar, ate não ter mais nada nem me ter mais. Desmaiar em um banheiro qualquer no ápice da minha decadência. Quero lhe amar como os românticos, no céu, porque na terra a carne já esta podre de mais.
Queria meu bem, ainda quero, mas está tudo tão distorcido, com tanta torcida contra que, meu Deus, nem sei mais...

domingo, 7 de julho de 2013

Sobre chuva, nuvens e medo


Não vou me precipitar. Não vou deixar esquentar e assim ter que evaporar e chover. Não tenho nada a serenar e assim sendo, não há nada a chover por aqui.
Ainda que me derrame com aquela música sobre chuva, ou tenha banhado com você naquela tarde acinzentada pela água pura, ainda que a plantação de milho não vingue sem chuva. Ainda assim. Ainda que a chuva seja a maior atração da natureza pra você. Ainda que a queira, ainda que necessite. Ainda que seja essa a única forma de apagar o fogo que te consome. Ainda assim.
Mas ainda há sim. Haverá um sim. Tão garantido quanto todos os fins e tão tardio quanto um novo começo. Haverá um dilúvio, anunciado pelo aquecimento global, garantido pelo homem, pela mulher,por você, por todos que emitem gases a atmosfera, pouco se importando com aqueles que não a querem tão quente, com a chama tão aberta.
Mas talvez o calor que tantos corpos produzem tenha me feito subir e me transformado  em nuvem, já separada do suor e das águas que banham os amantes, pouco interessada em perder a alvura, agradável com o frio que impede qualquer toque, salvo aqueles mais pertinentes que transcendem pelo amor, pelas alturas.